quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Esse povo de Brasília...


Sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010, São Paulo;
Finalmente após 12 horas de viagem de carro acertamos o caminho para deixar a minha irmã na casa do namorado. Dali fomos a um bar de esquina tomar umas cervejas, bem merecida por sinal. Douglas e eu ainda tínhamos que procurar o hotel combinado com o Beholder para nos hospedar. Mas sabe como é né? Fomos ficando, ficando... Até que surgiu a idéia de ir a uma boate do lugar. Convidamos o Beholder mas ele achou melhor ficar onde estava.
Todos se arrumaram e o amigo do namorado da minha irmã se prontificou a nos levar. Nos divertimos até onde foi possível. Em determinado momento minha irmã anunciou que ia embora. A despedida não foi lá das mais amigáveis. Talvez porque eu quizesse ficar, talvez porque o outro manolinho precisa-se ir embora. É o tipo de coisa que me irrita profundamente. Parece que o carona é regido pela Lei de Murphy em 100% das vezes. Quando ele quer ficar as pessoas querem ir embora, quando quer ir embora as pessoas querem ficar. Talvez essa tenha sido a constatação que me deu uma má motivação de permanecer e beber até a ultima gota.
Como sou um sujeito que quase não se socializa, me diverti ao meu modo. Lembro-me de ter ficado com uma mulher que queria porque queria resolver “uma parada” comigo no banheiro. Na minha atual condição eu não sabia nem como resolver o caminho de casa. Talvez ela quizesse minha carteira ou meu rim ou ambos. Era hora de ir embora.
Na minha conta constou:
10 tequilas,2 long necks,1 caipirinha de sakê (que eu não tomei)
Na do Douglas constou:
16 tequilas,2 long necks,1 caipirinha de sakê,1 coca
Reparem na quantidade tequilas. 13 pra cada um. Que eu bebo muito eu sei, mas que eu ficaria em pé depois disso eram outros quinhetos. Estava na cara que nos cobraram errado. Douglas não concordou em pagar e eu muito menos. Ai é lógico que o pessoal da boate nos deu aquele chá de espera. Eu já havia sido vencido pelo cansaço da viagem e todo aquele alcool. Não quis discutir. Resolvi pagar as duas contas. No outro dia a gente acertaria as contas. Enquanto pagava, Douglas ganhava notoriedade entre os seguranças que insistiam e por a mão em cima dele. Já do lado de fora esperávamos um táxi, mas não me lembro de ter chamado um. O fato é que quando o Douglas discutia com uns cinco seguranças, eu me resguardava para o pior. Um dos seguranças, um típico armário, negro e um palmo mais alto que eu, parecia se divertir com a toda aquela situação. Estava a minha frente e soltou um comentário desdenhoso: “Preto tem mais é que apanhar”. Foi o estopim. Me aproximei, olhei pra cima e falei:
- Você está pensando que você também não apanha? Tá pensando que só porque está com seus amiguinhos ai que eu não te arrebento? Tira esse terno ai e vamos resolver ali na rua.
Vi o sorriso se formando no rosto do segurança. Eu ia ser esmagado. Mas estava fervendo de raiva. Quando ele fez menção de tirar o blazer, cometeu um erro primário do excesso de confiança. Pôs os dois braços para trás, certo de me botaria pra correr. Então nessa hora soquei o nariz dele com a mão esquerda. Senti um “crock” de algo saindo do lugar. Pelo sangue em minha mão e pelo jeito que o cara ficou atordoado, julgo ter quebrado o nariz. A massa de seguranças largou o Douglas e veio “separar” a briga. Eu já estava longe, dizendo: “Estou bem, estou bem, não precisa se preocupar”.
Para nossa sorte o bendito táxi chegou antes do segurança se recuperar e me reduzir a uma massa disforme qualquer.
Teria terminado ai, mas história de bêbado quase nunca tem um final feliz. O táxi nos levou de volta à casa onde minha irmã estava hospedada. Não sei porque cargas d’água, minha irmã não abria. Precisávamos das malas. Queria ir ao hotel o mais rápido possível. Estava cansado sem uma gota do meu bom humor. Chamei, chamei, chamei novamente. Nada. Olhei para o Douglas e disse: “Pula ai mano”. Ele pulou, e eu fui logo atrás. Em seguida nos aparece um pastor alemão. Fiquei me perguntando por alguns segundos: “De onde surgiu esse freaking cão? Ele não estava ai quando eu cheguei”. O cachorro por sua vez uma festa conosco. Brincou, pôs as patas no peito do Douglas e até babou. Mas não estávamos lá para brincar. De modo que chamei minha irmã o mais alto que pude umas três ou quatro vezes. Merda! Será que ninguém compreendia que eu queria tomar um banho e dormir?
Liguei para o meu pai. É claro que ele não entendeu porcaria nenhuma do que estava acontecendo. Só pedi para ele ligar pra minha irmã e convencê-la de abrir a porta. Em resumo, falar com quem resolvia. O problema todo foi o pânico desnecessário que essa chamada gerou. Provavelmente eu não disse nada com nada. Lembro-me apenas de ter dito: “Faça a ****** abrir essa porta senão vou abri-la no chute”. Ligação feita, pus-me a esperar. Então eis que surge minha irmã no portão lá do lado de fora da casa. “O que vocês estão fazendo ai?”  e eu pensando: “Tem outra entrada essa casa?”. Estávamos fazendo um escarcéu na casa do vizinho. “Sai daí, vem logo pra cá” – dizia minha irmã. Enquanto eu pulava o muro novamente para a rua, um pequeno amontoado de vizinhos me observava com olhos curiosos. Encarei-os de volta e disse: “E vocês? Nunca pularam o muro da casa errada não?”.
Exausto, com o Douglas reclamando e querendo ir a delegacia, com a minha irmã exigindo satisfações, só quis pegar minhas coisas e sumir dali. Certamente discuti com minha irmã trocando as gentilezas típicas das brigas de irmãos. No entanto com a estúpida idéia do Douglas de querer ir a delegacia cheirando a tequila, concordamos em parar de brigar para não acontecer uma merda ainda maior. Posto que (e eu acredito nisso) sai de lá com as pazes feitas.
No caminho para a delegacia, já dentro do carro e com todas as malas eu disse: “Ei Douglas, eu acho que paguei uma conta só”. Foi incrível ver a núvem negra se dissipar de cima da cabeça dele. Começamos a rir feito idiotas. Já havia algum tempo que andávamos a esmo procurando a tal delegacia. Concordamos que seria uma boa hora de achar o hotel.
Por incrível que pareça, conseguimos encontrar o endereço do hotel de primeira. O problema foi convencer a recepcionista a nos dar um quarto. Ela disse que estavam lotados (coisa que  duvido). Simples e seca. Fomos a outro hotel.
E agora a história está perto do fim.
— Tem quarto triplo ai?
—  Sim temos.
— Ótimo. A gente fica com ele.
Eis que a mulher me pega um papel cheio de campos a serem preenchidos. Nem o CESPE me faria preencher aquilo tudo. Botei meu nome, nº da identidade, telefone. Por que ela haveria de querer saber mais do que isso? Entreguei o papel:
— Senhor, está faltando esse e esse e esses campos aqui.  – disse devolvendo o papel pra mim. Retirei a carteira e empurrei o papel de volta.
— Sabe ler? Ai dentro estão todas as informações que você precisa. – Essa mulher foi lá em cima e voltou. Pois que respondeu:
— Senhor, você REALMENTE precisa preencher esses campos.
Preenchi. Fazer o quê. Mas não preenchi tudo. “Motivo da viagem”, “email” , blá blá blá. Nada disso botei. Entreguei o papel dizendo: “Esses campos em branco eu os considero DESNECESSÁRIOS”. E antes que ela contrargumenta-se perguntei se eles tinham café da manhã. Ao que me foi dito que teria que pagar a parte. Perguntei se poderia ver já que ia pagar. Ela permitiu e lá fui eu ver o que tinha para o café. Havia uma família tomando café. Havia presunto, queijo, leite em garrafa térmica pingando nata, suco maguary e pães. Voltei para o balcão enquanto o Douglas ainda terminava de escrever em sua ficha: “Douglas, vamos subir, porque o café ESTÁ UMA MERRRRDA”.
E essa foi a primeira noite em São Paulo. Ao contrário do que possam pensar, o outros dias foram bem mais amenos. Dois dias em Ilha Bela trouxeram-me um descanso merecido. Engraçado pensar que já estou com saudades do pessoal de SP. Bons anfitriões sem dúvida. Ficam meus agradecimentos.  

1 comentários:

Lini disse...

TREZE TEQUILAS? Zoltan = meu ídolo! rs. Que aventura ein, meu caro. A minha foi mais simples, mas foi merecida tb. =*